SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Introdução
Existem certos fatos que marcaram épocas e etapas; e um desses fatos é a Segunda Guerra Mundial. Cada um desses fatos está ligado, de uma forma ou de outra, aos fatos que aconteceram antes, que também estão ligados aos fatos de antes. Então, é claro que para entender a segunda guerra é preciso saber que um dos fatos que provocou a segunda guerra, foi o rancor e o ódio que ainda guardavam da primeira guerra.
A segunda guerra mundial deu encerramento a uma fase para dar início à fase em que nos estamos vivendo nesse momento. Ou seja, foi um fato que marcou uma época. Mais do que marcar uma época, a segunda guerra deu início a uma época. A história do mundo todo, tanto social quanto política foi completamente mudada e afetada pela segunda guerra mundial. A organização do mundo e as relações internacionais foram também muito modificadas pela situação que estava se estabelecendo na segunda guerra mundial.
A segunda guerra mundial foi com certeza o conflito mais sangrento e também o maior conflito armado que o mundo jamais presenciou.
As principais causas
Após o final da Primeira Guerra Mundial, os países que venceram começaram a abusar da vitória então dita, e com isso começaram também a impor duras condições aos países perdedores. O país mais prejudicado nisso foi a Alemanha, que sofreu perdas de territórios, teve que pagar multas e muitas outras coisas. Além disso, a fome e o desemprego começaram a assolar o país.
Então, Hitler começou a apelar para o estado nazista, porque queria adquirir forças. Certos países como Alemanha, Japão e Itália, que eram comandados por regimes totalitários, adotaram uma política de expansão territorial que era bastante violenta, e foi marcada por acontecimentos como:
JAPÃO: no Japão ocorreram duas coisas principais, que foram: A invasão da Manchúria, em setembro de 1931. Os japoneses colocaram na Manchúria um imperador no poder, que era controlado pelos japoneses. Como a Manchúria era um território chinês, essa invasão desencadeou a guerra contra a China, que começou em 1935. A Sociedade das Nações protestou contra o Japão, mas o Japão não cedeu e se retirou da Sociedade.
• ITÁLIA: a Itália invadiu a Etiópia em 1936. A Sociedade das Nações quis punir a agressão do exército italiano, impondo um embargo econômica à Itália. Foi aí que Hitler se aproximou de Mussolini e passou a lhe dar ajuda econômica. No ano de 1939 a Itália conquistou e anexou a Albânia ao seu território.
• ALEMANHA: em 1938 a Alemanha invadiu a Áustria. Para isso, primeiro eles assassinaram o chanceler e então tomaram o governo e imediatamente convocaram as tropas alemãs para invadir o país e anexá-lo à Alemanha. Mais tarde, por meio de um plebiscito, o povo austríaco confirmou que apoiava a anexação. Então, em março de 1939, a Alemanha invadiu a Tchecoslováquia. Com a integração da república Tcheca, a capacidade bélica da Alemanha cresceu de forma significativa.
Aconteceu então que Hitler e Stalin decidiram dividir a Polônia entre as duas potências, e em 1º de setembro de 1939 eles invadiram a Polônia. Dois dias depois da invasão, A Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha, dando início, então, à segunda guerra mundial.
As fases da guerra
Para entendermos melhor as fases, temos que conhecer os principais blocos de potências em conflito. São eles as Potências do Eixo e as Potências Aliadas. As Potências do Eixo contam com Alemanha, Itália e Japão. As Potências Aliadas contam com Inglaterra, França, União Soviética e Estados Unidos.
As fases são as seguintes:
• Primeira fase: começa em setembro de 1939 e termina em junho de 1942. As potências do Eixo estavam se expandindo muito nessa fase. Os alemães invadiram a Dinamarca e a França em abril de 1940, e em maio eles invadiram a Holanda e a Bélgica, e mais tarde a França. Em abril de 1941 os alemães invadiram a Iugoslávia e a Grécia, e então, rompendo acordos anteriores, o exército alemão invadiu a União Soviética. Os italianos avançaram no Egito, e os alemães desembarcaram na África. Então os japoneses avançaram no Pacífico, atacando a base militar de Pearl Harbor.
O objetivo principal do Japão era formar um grande império asiático, com a conquista de regiões ricas em matérias-primas, sobretudo petróleo e borracha, necessários para manter sua máquina de guerra. Em dezembro de 1941, a aviação japonesa fez um ataque-surpresa à base norte americana de Pearl Harbor, no Havaí. Foi então que os Estados Unidos acordaram para a guerra. As divergências entre Estados Unidos e Japão já vinham de longa data.
• Segunda fase: as forças do Eixo foram contidas na Europa, Ásia e África. Foi então que os ataques aéreos americanos à Alemanha começaram. Em 1943, os russos partiram para o contra-ataque através da Batalha de Estalingrado. A batalha de Estalingrado aconteceu na União Soviética e terminou com a derrota total dos alemães. Todo o prestígio que as tropas de Hitler haviam adquirido nas guerras da Europa Ocidental acabou-se em Estalingrado.
• Terceira fase: a terceira fase foi de março de 1943 a setembro de 1945 e foi a fase final da guerra. Nessa fase as forças do Eixo foram derrotadas, perdendo o Mediterrâneo. No dia 6 de junho de 1944, o Dia D, os aliados desembarcam na Normandia. A Alemanha foi envolvida de todos os lados pelos exércitos aliados. No dia 30 de abril de 1945, vendo que a situação não estava favorável à Alemanha, Hitler e sua mulher se suicidaram. No dia 7 de maio, o alto comando alemão assinou à rendição incondicional da Alemanha. Assim a guerra terminou na Europa, mas só foi terminar completamente com a rendição do Japão, após o lançamento de duas bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki.
As conseqüências da guerra
As principais conseqüências da segunda guerra mundial foram:
• A redefinição da ordem mundial em favor das superpotências: os Estados Unidos confirmam a sua hegemonia no bloco capitalista. A União Soviética, que emergiu como potência de primeira grandeza, exercendo uma considerável influência na Europa Oriental. Essas duas superpotências tornaram-se os grandes líderes políticos mundiais, reunindo em torno de si diversos países.
• Um declínio da influência política, econômica e mesmo cultural da Europa. A Europa mergulhou numa crise profunda. As antigas potências mundiais, Inglaterra e França, perderam suas posições para os já falados Estados Unidos e União Soviética. A posição de centro de civilização que a Europa tinha antes da guerra foi completamente perdida para esses países.
• O avanço das técnicas militares de destruição. Aos instrumentos tradicionais de guerra, foram somados novos tanques, foguetes, radares, aviões, submarinos, e finalmente a bomba atômica.
• A fundação da ONU, a Organização das Nações Unidas. Essa organização foi criada em 1945. A ONU é um organismo mundial, que inicialmente reunia 26 nações, que firmaram a Carta das Nações Unidas. Essa Carta entrou em vigor no dia 24 de outubro de 1945, e tem por objetivos principais: servir de mediador nos conflitos entre países para evitar desfechos mais graves como a segunda guerra mundial; manter a paz mundial; desenvolver a solidariedade entre as nações; estimular o progresso mundial; e promover o respeito pela dignidade da pessoa humana. A sede da ONU é em Nova Iorque, nos Estados Unidos, mas a área em que se situa é considerada território internacional, com leis próprias, bandeira própria e serviços de segurança e de comunicação independentes.
As vítimas
A brutalidade generalizada da guerra provocou milhões de vítimas, estimadas em 55 milhões de mortos, 35 milhões de feridos, 20 milhões de órfãos e 190 milhões de refugiados. Aproximadamente 6 milhões de judeus foram brutalmente assassinados pelos nazistas, que eram do partido de Hitler. Como o pai de Hitler havia sido morto por um judeu, Hitler adquiriu um grande ódio não só por aquele judeu, mas por todos eles. Então podemos ver que os judeus não haviam sido vítimas da guerra como os outros mortos, mas nas mortes dos judeus havia também a vingança pessoal de Hitler.
A bomba atômica: seus efeitos e conseqüências
A decisão final para a utilização da bomba atômica foi tomada pelo presidente Truman. Apesar da maré crescente de críticas, ele assumiu a responsabilidade total pelo ato. A justificativa para a utilização da bomba atômica foi que a guerra acabaria muito mais cedo e pouparia muitas vidas, mas não foi isso o que aconteceu.
O que aconteceu foi que apesar de estarem com sua marinha e sua força aérea bastante prejudicadas e quase completamente destruídas, os japoneses continuavam na guerra, e continuavam resistindo. Eles utilizavam pilotos suicidas, denominados Kamikazes, que se atiravam contra os alvos americanos com seus aviões carregados de explosivos. Esses alvos geralmente eram os navios. Esses pilotos causavam grandes perdas aos aliados.
Em outubro de 1939, pouco tempo depois do início da guerra, começaram os planos de desenvolvimento da bomba atômica. No fim de julho de 1945 já estava montado o palco para a decisão final. Truman tomou a decisão final de lançar a bomba em 25 de julho. Às 2h45min do dia 6 o bombardeio que transportava a bomba levantou vôo. Seis horas e meia depois, a bomba foi lançada sobre Hiroshima, a oitava maior cidade do Japão, para explodir 50 segundos depois, a uma altura de cerca de 600 metros. Foi nesse momento que os Estados Unidos revelaram ao mundo, através de um clarão fascinante, o início da era atômica.
Três dias depois, outro avião decolou com a segunda bomba, tendo como alvo a cidade de Kokura. Entretanto, o avião não conseguiu voar sobre o alvo e atirou a bomba sobre o alvo alternativo, Nagasaki. No dia seguinte o Japão pediu paz.
As conseqüências das bombas atômicas foram desastrosas. Com um incensurável poder de destruição, a bomba atômica não só destruiu completamente seus alvos como provocou lesões genéticas que foram transmitidas pelos sobreviventes aos seus filhos e aos filhos de seus filhos. Até hoje nascem crianças com problemas genéticos causados pela radiação das bombas de Hiroshima e Nagasaki.
Em Hiroshima foram mortas mais de sessenta mil pessoas, e em Nagasaki a fumaça subiu a mais de seis mil metros, formando o famoso cogumelo, e o calor e o fogo queimaram as pessoas e as casas.
sábado, 29 de maio de 2010
Reforma Religiosa
Reforma Religiosa
A Reforma Religiosa
Foi o movimento que rompeu a unidade do Cristianismo centrado pela Igreja de Roma. Esse movimento é parte das grandes transformações econômicas, sociais, culturais e políticas ocorridas na Europa nos séculos XV e XVI, que enfraqueceram a Igreja permitindo o surgimento de novas doutrinas religiosas. A Igreja estava em crise, a burguesia crescia em importância, o nacionalismo desenvolvia-se nos Estados modernos e o Renascimento Cultural despertava a liberdade de Crítica. O aumento populacional somado às transformações que vêm junto com esse aumento acarreta em um baque entre a Igreja e essas transformações. Os intelectuais das cidades pensam hipóteses, passam a ter idéias, problemas que antes não existiam. O termo “Igreja Católica” é posterior ao Concílio de Trento, uma forma de diferenciação perante os protestantes. Antes só existia a Cristandade.
A esse movimento de divisão no cristianismo e surgimento das novas doutrinas dá-se o nome de REFORMA e à reação da Igreja, realizando modificações internas e externas, de CONTRA-REFORMA. Contudo, esse movimento foi precedido por várias manifestações nos séculos anteriores, mas nenhuma delas conseguiu o rompimento definitivo com a Igreja Romana. Dentre elas, vemos:
- Heresias Medievais (Arianismo, Valdenses, Albigenses);
- Querela de Investiduras (disputas entre os papas e os imperadores da Alemanha a partir de 1074, pelo direito de nomear bispos e abades. Só se resolve no século XII);
- Cisma do Ocidente – (Ocorrido em 1378, em que a Igreja passa a ser governada por TRÊS papas – ela se unifica em 1417);
- Movimentos Reformadores – John Wiclif (1320? -1384) e Jonh Huss (1369-1415).
Os primeiros questionamentos são referentes à questão das Indulgências (documentos assinados pelo papa, que absolviam o comprador de alguns pecados cometidos, diminuindo o tempo de sua pena no purgatório, era um comércio em vista da salvação), Simonia {comercialização de coisas sagradas (Cargos eclesiásticos, cobrança por sacramentos, objetos...)}, celibato, culto às imagens, excesso de sacramentos, atitude mundana do Alto Clero, dentre outras. Havia um abismo muito grande entre o que a Igreja pregava e o que fazia.
PRINCIPAIS REFORMADORES
REFORMA LUTERANA -
A Alemanha não está centralizada, é agrária e feudal. A Igreja possui um terço das terras. Há descontentamento geral. Vendo tantos abusos por parte do Clero, o monge agostiniano Martinho Lutero não se calou. Elaborou 95 teses e afixou-as na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 1517. A maioria era contra as indulgências. Principalmente as indulgências visando à construção da Basílica de São Pedro. Apoiado pela nobreza alemã, Lutero pôde divulgar suas idéias, calcada em dois princípios que se constituiriam no núcleo de sua doutrina: A Salvação somente pela fé e não pelas práticas religiosas e a Inutilidade dos Mediadores (Clero). Lutero foi excomungado em 1520. Ele queima publicamente a carta do papa (Bula papal), traduz a Bíblia para o Alemão, casa-se com uma ex-freira, fica abrigado na Saxônia. Eis suas reivindicações e críticas principais:
Substituição do Latim pelo idioma alemão nos cultos religiosos; Questiona a grande quantidade de sacramentos (Preserva dois sacramentos: batismo e eucaristia); Livre interpretação da Bíblia; Contra o Celibato; Rejeita a Hierarquia Religiosa da Igreja de Roma; pregava a Salvação pela fé; Negava a Transubstanciação – afirmava a Consubstanciação (misturados); Pecado Original: Marca do gênero Humano (nem Cristo, nem o Batismo o retiram);
O Luteranismo expandiu-se basicamente no Sacro Império Romano-Germânico e nos países escandinavos (Suécia, Noruega e Dinamarca), regiões essencialmente rurais, pouco desenvolvidas em termos comerciais. Através de suas idéias, eles desapropriam as terras da Igreja.
REFORMA CALVINISTA – J. Calvino (1509-1564) era francês, que inicia sua ruptura em Genebra, Suíça, por volta de 1536. Lá começa a publicar estudos sistemáticos sobre a nova religião. Funda uma nova doutrina que expande a Reforma. A burguesia dessa cidade havia adotado os princípios da reforma para lutar contra seu governante, o católico Duque de Savóia, o que favoreceu a atuação do reformador. Ele divergia de Lutero em alguns pontos, principalmente na questão da Salvação. Diferente de Lutero (salvação pela fé), ele defendia a idéia de que a fé não era suficiente, uma vez que o homem já nasce predestinado, ou seja, escolhido por Deus para a vida eterna ou para a sua condenação. Calvino tornou-se todo-poderoso, conseguindo impor sua doutrina, interferir nos costumes, nas crenças e na própria organização político-administrativa da cidade. O Calvinismo propagou-se rapidamente atingindo a França, a Holanda, a Inglaterra e a Escócia.
Eis algumas de suas teorias e questionamentos:
- A riqueza material era um sinal da graça divina sobre o indivíduo. Essa teoria é assimilada pela burguesia local, que justificava não só seu comércio, como também as atividades financeiras e o lucro a elas associado. Ele justifica as atividades econômicas até então condenadas pela Igreja romana.
- Grande rigidez na moral
- Questiona a Liturgia da Missa (simplifica com o Sermão, a oração e a leitura da Bíblia).
- Questiona o uso das Imagens (houve quebra-quebra nas paróquias locais)
- Acaba com os jogos, dança ida ao teatro...
- “O homem que não quer trabalhar, não merece comer.” afirma.
- Livre Interpretação da Bíblia;
- Nega o culto aos santos e a Virgem;
- Questiona a autoridade do Papa;
- Defende a separação entre a Igreja e o Estado;
- Questiona o Celibato do clero;
- Questiona a Transubstanciação (propõe uma presença material, o Cristo está presente, mas não materialmente).
- Ele cria um conselho para reger a vida religiosa em Genebra de “12 anciãos”. Eles julgavam, ditavam regras. Consistório de Genebra.
- A doutrina afirma que não há certeza da salvação;
REFORMA ANGLICANA – Os ingleses, durante a época dos Tudor, também criticavam os abusos da Igreja Romana, a ineficiência dos tribunais eclesiásticos e o favoritismo na distribuição de cargos públicos para membros do Clero, além de queixar-se do pagamento e do envio de dízimos para Roma. Durante o governo de Henrique VIII (1509-1547), a burguesia fazia pressão para o aumento do poder do parlamento. O rei, necessitando aumentar as riquezas do Estado, confisca as terras da Igreja, o que gera desentendimentos com o Papa. Isso se agrava quando o monarca solicita a anulação do casamento com Catarina de Aragão. Ele não tinha sucessores masculinos, temia que seu trono caísse em mãos espanholas. Toda a nação, com medo deste fato, apóia esse pedido. O Papa Clemente VII nega o pedido. O Rei rompe com o papado e faz uma reforma na Igreja Inglesa. Obriga seus membros a reconhecê-lo como chefe supremo e a jurar-lhe fidelidade e obediência. Obtém do clero inglês o divórcio e se casa com uma dama da corte, Ana Bolena. O Papa tenta intimidá-lo excomungando-o, mas não adianta.
Em 1534, Henrique VIII decreta o Ato de Supremacia, que consolida a separação entre a Inglaterra e o papa. Torna-se o chefe da Igreja de seu país. A Reforma anglicana, na prática, apresenta poucas modificações com a Igreja romana: Questiona o Culto aos santos; A autoridade máxima é o Rei e não o papa; Questiona o culto às relíquias; Prega a popularização da leitura da Bíblia. A Reforma anglicana resolveu, na prática, dois problemas para a monarquia: a questão da herança do trono e com a venda das terras da Igreja para a burguesia e nobreza, dá um suporte financeiro para a Coroa. O Anglicanismo se consolida no reinado de Elizabeth I, filha de Henrique VIII, que renova seu direito de soberania real sobre a Igreja, além de fixar os fundamentos da doutrina e do culto anglicano na Lei dos 39 Artigos, em 1563.
OBSERVAÇÃO - O Calvinismo também criou raízes na Inglaterra. Seus adeptos, os puritanos, iriam entrar em choque com os anglicanos, gerando inúmeros conflitos no século XVII, que levaram às imigrações maciças para a região da Nova Inglaterra, na América do Norte.
THOMAS MÜNTZER – Liderou uma revolta em 1524 com camponeses da região do Reno. Além de atacar a Igreja pela cobrança de dízimos, passam a reivindicar a reforma agrária e a abolição dos privilégios feudais. Ele afirmava ser Luterano. O movimento se espalhou por várias regiões alemãs com assaltos a castelos, queima dos mosteiros e roubo de colheitas. A essas manifestações, seguiu-se uma repressão violenta, apoiada por Lutero em prol da Nobreza alemã. Müntzer foi preso e decapitado e houve o massacre de milhares de camponeses. Ele foi um dos grandes pregadores do ANABATISMO (os convertidos são batizados na idade adulta, mesmo já sendo batizados quando criança). Tinham a necessidade de rebatizar os indivíduos, de separar a Igreja e o Estado, de abolir as imagens e o culto dos santos, queriam uma igualdade absoluta entre os homens, viver com simplicidade, pois todos eram inspirados pelo Espírito Santo. Foram fortemente reprimidos seja nos Estados Católicos, Luteranos ou Calvinistas.
CONTRA-REFORMA
O avanço do Protestantismo, não só neste momento, levou a Igreja Romana a se reorganizar. Foi um movimento de reação ao protestantismo. A Igreja precisava auto-reformar-se ou não sobreviveria, pois precisava, ainda, evitar que outras regiões virassem protestantes. Esse movimento de reforma interna já existia, mas é nesse momento que ele é aprofundado. Entre 1545 e 1563, foi convocado o CONCÍLIO DE TRENTO, onde houve reafirmações e mudanças. Dentre elas:
- Esclarece a Doutrina;
- Conserva os sete Sacramentos e confirma os Dogmas;
- Afirma a presença real de Cristo na Eucaristia;
- Inicia a redação de um Catecismo;
- Criação de Seminários para a formação de sacerdotes;
- Reafirma o Celibato, a veneração aos Santos e a Virgem;
- Aprova os Estatutos da Companhia de Jesus, criada antes do Concílio por Inácio de Loyola;
- Mantém o Latim como língua do Culto e tradução oficial das Sagradas Escrituras;
- Confirma como texto autêntico, a tradução de São Jerônimo, no século IV;
- Fortalece a Hierarquia e, portanto a unidade da Igreja Católica, ao afirmar a supremacia do Papa como “Pastor Universal de toda a Igreja”
- Reorganizou o tribunal da Inquisição ou Santo Ofício, que fica encarregado de combater a Reforma;
- Criação do “Índex” (índice), encarregada da censura de obras impressas, lista de livros cuja leitura era proibida aos fiéis;
As orientações do Concílio de Trento guiaram os católicos de todo o mundo durante 400 anos. Houve o Concílio Vaticano I (08/12/1869 - 20/10/1870), convocado pelo Papa PIO IX (1846-1878), mas que foi interrompido devido à Guerra Franco-Alemã que havia iniciado. As maiores mudanças começariam a acontecer apenas em 1962, quando o papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II (11/10/1962 a 07/12/1965), para redefinir as posições da Igreja e adequá-la às necessidades e desafios do mundo contemporâneo.
A Reforma Religiosa
Foi o movimento que rompeu a unidade do Cristianismo centrado pela Igreja de Roma. Esse movimento é parte das grandes transformações econômicas, sociais, culturais e políticas ocorridas na Europa nos séculos XV e XVI, que enfraqueceram a Igreja permitindo o surgimento de novas doutrinas religiosas. A Igreja estava em crise, a burguesia crescia em importância, o nacionalismo desenvolvia-se nos Estados modernos e o Renascimento Cultural despertava a liberdade de Crítica. O aumento populacional somado às transformações que vêm junto com esse aumento acarreta em um baque entre a Igreja e essas transformações. Os intelectuais das cidades pensam hipóteses, passam a ter idéias, problemas que antes não existiam. O termo “Igreja Católica” é posterior ao Concílio de Trento, uma forma de diferenciação perante os protestantes. Antes só existia a Cristandade.
A esse movimento de divisão no cristianismo e surgimento das novas doutrinas dá-se o nome de REFORMA e à reação da Igreja, realizando modificações internas e externas, de CONTRA-REFORMA. Contudo, esse movimento foi precedido por várias manifestações nos séculos anteriores, mas nenhuma delas conseguiu o rompimento definitivo com a Igreja Romana. Dentre elas, vemos:
- Heresias Medievais (Arianismo, Valdenses, Albigenses);
- Querela de Investiduras (disputas entre os papas e os imperadores da Alemanha a partir de 1074, pelo direito de nomear bispos e abades. Só se resolve no século XII);
- Cisma do Ocidente – (Ocorrido em 1378, em que a Igreja passa a ser governada por TRÊS papas – ela se unifica em 1417);
- Movimentos Reformadores – John Wiclif (1320? -1384) e Jonh Huss (1369-1415).
Os primeiros questionamentos são referentes à questão das Indulgências (documentos assinados pelo papa, que absolviam o comprador de alguns pecados cometidos, diminuindo o tempo de sua pena no purgatório, era um comércio em vista da salvação), Simonia {comercialização de coisas sagradas (Cargos eclesiásticos, cobrança por sacramentos, objetos...)}, celibato, culto às imagens, excesso de sacramentos, atitude mundana do Alto Clero, dentre outras. Havia um abismo muito grande entre o que a Igreja pregava e o que fazia.
PRINCIPAIS REFORMADORES
REFORMA LUTERANA -
A Alemanha não está centralizada, é agrária e feudal. A Igreja possui um terço das terras. Há descontentamento geral. Vendo tantos abusos por parte do Clero, o monge agostiniano Martinho Lutero não se calou. Elaborou 95 teses e afixou-as na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 1517. A maioria era contra as indulgências. Principalmente as indulgências visando à construção da Basílica de São Pedro. Apoiado pela nobreza alemã, Lutero pôde divulgar suas idéias, calcada em dois princípios que se constituiriam no núcleo de sua doutrina: A Salvação somente pela fé e não pelas práticas religiosas e a Inutilidade dos Mediadores (Clero). Lutero foi excomungado em 1520. Ele queima publicamente a carta do papa (Bula papal), traduz a Bíblia para o Alemão, casa-se com uma ex-freira, fica abrigado na Saxônia. Eis suas reivindicações e críticas principais:
Substituição do Latim pelo idioma alemão nos cultos religiosos; Questiona a grande quantidade de sacramentos (Preserva dois sacramentos: batismo e eucaristia); Livre interpretação da Bíblia; Contra o Celibato; Rejeita a Hierarquia Religiosa da Igreja de Roma; pregava a Salvação pela fé; Negava a Transubstanciação – afirmava a Consubstanciação (misturados); Pecado Original: Marca do gênero Humano (nem Cristo, nem o Batismo o retiram);
O Luteranismo expandiu-se basicamente no Sacro Império Romano-Germânico e nos países escandinavos (Suécia, Noruega e Dinamarca), regiões essencialmente rurais, pouco desenvolvidas em termos comerciais. Através de suas idéias, eles desapropriam as terras da Igreja.
REFORMA CALVINISTA – J. Calvino (1509-1564) era francês, que inicia sua ruptura em Genebra, Suíça, por volta de 1536. Lá começa a publicar estudos sistemáticos sobre a nova religião. Funda uma nova doutrina que expande a Reforma. A burguesia dessa cidade havia adotado os princípios da reforma para lutar contra seu governante, o católico Duque de Savóia, o que favoreceu a atuação do reformador. Ele divergia de Lutero em alguns pontos, principalmente na questão da Salvação. Diferente de Lutero (salvação pela fé), ele defendia a idéia de que a fé não era suficiente, uma vez que o homem já nasce predestinado, ou seja, escolhido por Deus para a vida eterna ou para a sua condenação. Calvino tornou-se todo-poderoso, conseguindo impor sua doutrina, interferir nos costumes, nas crenças e na própria organização político-administrativa da cidade. O Calvinismo propagou-se rapidamente atingindo a França, a Holanda, a Inglaterra e a Escócia.
Eis algumas de suas teorias e questionamentos:
- A riqueza material era um sinal da graça divina sobre o indivíduo. Essa teoria é assimilada pela burguesia local, que justificava não só seu comércio, como também as atividades financeiras e o lucro a elas associado. Ele justifica as atividades econômicas até então condenadas pela Igreja romana.
- Grande rigidez na moral
- Questiona a Liturgia da Missa (simplifica com o Sermão, a oração e a leitura da Bíblia).
- Questiona o uso das Imagens (houve quebra-quebra nas paróquias locais)
- Acaba com os jogos, dança ida ao teatro...
- “O homem que não quer trabalhar, não merece comer.” afirma.
- Livre Interpretação da Bíblia;
- Nega o culto aos santos e a Virgem;
- Questiona a autoridade do Papa;
- Defende a separação entre a Igreja e o Estado;
- Questiona o Celibato do clero;
- Questiona a Transubstanciação (propõe uma presença material, o Cristo está presente, mas não materialmente).
- Ele cria um conselho para reger a vida religiosa em Genebra de “12 anciãos”. Eles julgavam, ditavam regras. Consistório de Genebra.
- A doutrina afirma que não há certeza da salvação;
REFORMA ANGLICANA – Os ingleses, durante a época dos Tudor, também criticavam os abusos da Igreja Romana, a ineficiência dos tribunais eclesiásticos e o favoritismo na distribuição de cargos públicos para membros do Clero, além de queixar-se do pagamento e do envio de dízimos para Roma. Durante o governo de Henrique VIII (1509-1547), a burguesia fazia pressão para o aumento do poder do parlamento. O rei, necessitando aumentar as riquezas do Estado, confisca as terras da Igreja, o que gera desentendimentos com o Papa. Isso se agrava quando o monarca solicita a anulação do casamento com Catarina de Aragão. Ele não tinha sucessores masculinos, temia que seu trono caísse em mãos espanholas. Toda a nação, com medo deste fato, apóia esse pedido. O Papa Clemente VII nega o pedido. O Rei rompe com o papado e faz uma reforma na Igreja Inglesa. Obriga seus membros a reconhecê-lo como chefe supremo e a jurar-lhe fidelidade e obediência. Obtém do clero inglês o divórcio e se casa com uma dama da corte, Ana Bolena. O Papa tenta intimidá-lo excomungando-o, mas não adianta.
Em 1534, Henrique VIII decreta o Ato de Supremacia, que consolida a separação entre a Inglaterra e o papa. Torna-se o chefe da Igreja de seu país. A Reforma anglicana, na prática, apresenta poucas modificações com a Igreja romana: Questiona o Culto aos santos; A autoridade máxima é o Rei e não o papa; Questiona o culto às relíquias; Prega a popularização da leitura da Bíblia. A Reforma anglicana resolveu, na prática, dois problemas para a monarquia: a questão da herança do trono e com a venda das terras da Igreja para a burguesia e nobreza, dá um suporte financeiro para a Coroa. O Anglicanismo se consolida no reinado de Elizabeth I, filha de Henrique VIII, que renova seu direito de soberania real sobre a Igreja, além de fixar os fundamentos da doutrina e do culto anglicano na Lei dos 39 Artigos, em 1563.
OBSERVAÇÃO - O Calvinismo também criou raízes na Inglaterra. Seus adeptos, os puritanos, iriam entrar em choque com os anglicanos, gerando inúmeros conflitos no século XVII, que levaram às imigrações maciças para a região da Nova Inglaterra, na América do Norte.
THOMAS MÜNTZER – Liderou uma revolta em 1524 com camponeses da região do Reno. Além de atacar a Igreja pela cobrança de dízimos, passam a reivindicar a reforma agrária e a abolição dos privilégios feudais. Ele afirmava ser Luterano. O movimento se espalhou por várias regiões alemãs com assaltos a castelos, queima dos mosteiros e roubo de colheitas. A essas manifestações, seguiu-se uma repressão violenta, apoiada por Lutero em prol da Nobreza alemã. Müntzer foi preso e decapitado e houve o massacre de milhares de camponeses. Ele foi um dos grandes pregadores do ANABATISMO (os convertidos são batizados na idade adulta, mesmo já sendo batizados quando criança). Tinham a necessidade de rebatizar os indivíduos, de separar a Igreja e o Estado, de abolir as imagens e o culto dos santos, queriam uma igualdade absoluta entre os homens, viver com simplicidade, pois todos eram inspirados pelo Espírito Santo. Foram fortemente reprimidos seja nos Estados Católicos, Luteranos ou Calvinistas.
CONTRA-REFORMA
O avanço do Protestantismo, não só neste momento, levou a Igreja Romana a se reorganizar. Foi um movimento de reação ao protestantismo. A Igreja precisava auto-reformar-se ou não sobreviveria, pois precisava, ainda, evitar que outras regiões virassem protestantes. Esse movimento de reforma interna já existia, mas é nesse momento que ele é aprofundado. Entre 1545 e 1563, foi convocado o CONCÍLIO DE TRENTO, onde houve reafirmações e mudanças. Dentre elas:
- Esclarece a Doutrina;
- Conserva os sete Sacramentos e confirma os Dogmas;
- Afirma a presença real de Cristo na Eucaristia;
- Inicia a redação de um Catecismo;
- Criação de Seminários para a formação de sacerdotes;
- Reafirma o Celibato, a veneração aos Santos e a Virgem;
- Aprova os Estatutos da Companhia de Jesus, criada antes do Concílio por Inácio de Loyola;
- Mantém o Latim como língua do Culto e tradução oficial das Sagradas Escrituras;
- Confirma como texto autêntico, a tradução de São Jerônimo, no século IV;
- Fortalece a Hierarquia e, portanto a unidade da Igreja Católica, ao afirmar a supremacia do Papa como “Pastor Universal de toda a Igreja”
- Reorganizou o tribunal da Inquisição ou Santo Ofício, que fica encarregado de combater a Reforma;
- Criação do “Índex” (índice), encarregada da censura de obras impressas, lista de livros cuja leitura era proibida aos fiéis;
As orientações do Concílio de Trento guiaram os católicos de todo o mundo durante 400 anos. Houve o Concílio Vaticano I (08/12/1869 - 20/10/1870), convocado pelo Papa PIO IX (1846-1878), mas que foi interrompido devido à Guerra Franco-Alemã que havia iniciado. As maiores mudanças começariam a acontecer apenas em 1962, quando o papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II (11/10/1962 a 07/12/1965), para redefinir as posições da Igreja e adequá-la às necessidades e desafios do mundo contemporâneo.
Renascimento Cultural
Renascimento Cultural
INTRODUÇÃO
Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas.
As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então predominante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade. Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos.
Os Valores
O movimento renascentista envolveu uma nova sociedade e portanto novas relações sociais em seu cotidiano. A vida urbana passou a implicar um novo comportamento, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, os encontros nas ruas, implicavam por si só um novo comportamento dos homens. Isso significa que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas obras de arte.
Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizava-se dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Assim como os gregos, os homens "modernos" valorizaram o antropocentrismo: "O homem é a medida de todas as coisas"; o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação, compreendidos como produto da ação do homem.
Uma outra característica marcante foi o racionalismo, isto é, a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada; dessa maneira o experimentalismo, a ciência, conheceram grande desenvolvimento. O individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos acentuaram gradualmente o individualismo. É importante percebermos que essa característica não implica o isolamento do homem, que continua a viver em sociedade, em relação direta com outros homens, mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões.
Foi acentuada a importância do estudo da natureza; o naturalismo aguçou o espírito de observação do homem. O hedonismo representou o "culto ao prazer", ou seja, a idéia de que o homem pode produzir o belo, pode gerar uma obra apenas pelo prazer que isso possa lhe proporcionar, rompendo com o pragmatismo.
O Universalismo foi uma das principais características do Renascimento e considera que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber; podemos dizer que Leonardo da Vinci é o principal modelo de "homem universal", matemático, físico, pintor e escultor, estudou inclusive aspectos da biologia humana.
ITÁLIA: O Berço do Renascimento
Esse é uma expressão muito utilizada, apesar de a Itália ainda não existir como nação. A região italiana estava dividida e as cidades possuíam soberania. Na verdade o Renascimento desenvolveu-se em algumas cidades italianas, principalmente aqueles ligadas ao comércio.
Desde o século XIII, com a reabertura do Mediterrâneo, o comércio de várias cidades italianas com o oriente intensificou-se , possibilitando importantes transformações, como a formação de uma camada burguesa enriquecida e que necessitava de reconhecimento social. O comércio comandado pela burguesia foi responsável pelo desenvolvimento urbano, e nesse sentido, responsável por um novo modelo de vida, com novas relações sociais onde os homens encontram-se mais próximos uns dos outros. Dessa forma podemos dizer que a nova mentalidade da população urbana representa a essência dessas mudanças e possibilitará a Produção Renascentista.
Podemos considerar ainda como fatores que promoveram o renascimento italiano, a existência de diversas obras clássicas na região, assim como a influência dos "sábios bizantinos", homens oriundos principalmente de Constantinopla, conhecedores da língua grega e muitas vezes de obras clássicas.
A Produção Renascentista
É necessário fazer uma diferenciação entre a cultura renascentista; aquela caracterizada por um novo comportamento do homem da cidade, a partir de novas concepções de vida e de mundo, da Produção Renascentista, que representa as obras de artistas e intelectuais, que retrataram essa nova visão de mundo e são fundamentais para sua difusão e desenvolvimento. Essa diferenciação é importante para que não julguemos o Renascimento como um movimento de "alguns grandes homens", mas como um movimento que representa uma nova sociedade, urbana caracterizada pelos novos valores burguesas e ainda associada à valores cristãos.
O mecenato, prática comum na Roma antiga, foi fundamental para o desenvolvimento da produção intelectual e artística do renascimento. O Mecenas era considerado como "protetor", homem rico, era na prática quem dava as condições materiais para a produção das novas obras e nesse sentido pode ser considerado como o patrocinador, o financiador. O investimento do mecenas era recuperado com o prestígio social obtido, fato que contribuía com a divulgação das atividades de sua empresa ou instituição que representava. A maioria dos mecenas italianos eram elementos da burguesia, homens enriquecidos com o comércio e toda a produção vinculada à esse patrocínio foi considerada como Renascimento Civil.
Encontramos também o Papa e elementos da nobreza praticando o mecenato, sendo que o Papa Júlio II foi o principal exemplo do que denominou-se Renascimento Cortesão.
A Expansão do Renascimento
No decorrer do século XVI a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a outros países, cada um adaptando-o segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do movimento de Reforma Religiosa.
O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento vinculadas ao comércio oriental e posteriormente à exploração da América. A navegação pelo Atlântico reforçaram o capitalismo de Portugal, Espanha e Holanda e em segundo plano da Inglaterra e França. Nesses "países atlânticos" desenvolveu-se então a burguesia e a mentalidade renascentista.
Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do Renascimento Italiano, motivado pela crise econômica das cidades, provocada pela perda do monopólio sobre o comércio de especiarias.
A mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico determinou a decadência italiana e ao mesmo tempo impulsionou o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural.
Outro fator fundamental para a crise do Renascimento italiano foi a Reforma Religiosa e principalmente a Contra Reforma. Toda a polêmica que desenvolveu-se pelo embate religioso fez com que a religião voltasse a ocupar o principal espaço da vida humana; além disso, a Igreja Católica desenvolveu um grande movimento de repressão, apoiado na publicação do INDEX e na retomada da Inquisição que atingiu todo indivíduo que de alguma forma de opusesse a Igreja. Como o movimento protestante nõ existiu na Itália, a repressão recaiu sobre os intelectuais e artistas do renascimento.
INTRODUÇÃO
Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Esse momento é considerado como um importante período de transição envolvendo as estruturas feudo capitalistas.
As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica reinante, o humanismo, que descartava a escolástica medieval, até então predominante, e propunha o retorno às virtudes da antiguidade. Platão, Aristóteles, Virgílio, Sêneca e outros autores greco-romanos começam a ser traduzidos e rapidamente difundidos.
Os Valores
O movimento renascentista envolveu uma nova sociedade e portanto novas relações sociais em seu cotidiano. A vida urbana passou a implicar um novo comportamento, pois o trabalho, a diversão, o tipo de moradia, os encontros nas ruas, implicavam por si só um novo comportamento dos homens. Isso significa que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas obras de arte.
Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia, pois utilizava-se dos mesmos conceitos, porém aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Assim como os gregos, os homens "modernos" valorizaram o antropocentrismo: "O homem é a medida de todas as coisas"; o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano, o trabalho, as guerras, as transformações, os amores, as contradições humanas tornaram-se objetos de preocupação, compreendidos como produto da ação do homem.
Uma outra característica marcante foi o racionalismo, isto é, a convicção de que tudo pode ser explicado pela razão do homem e pela ciência, a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada; dessa maneira o experimentalismo, a ciência, conheceram grande desenvolvimento. O individualismo também foi um dos valores renascentistas e refletiu a emergência da burguesia e de novas relações de trabalho. A idéia de que cada um é responsável pela condução de sua vida, a possibilidade de fazer opções e de manifestar-se sobre diversos assuntos acentuaram gradualmente o individualismo. É importante percebermos que essa característica não implica o isolamento do homem, que continua a viver em sociedade, em relação direta com outros homens, mas na possibilidade que cada um tem de tomar decisões.
Foi acentuada a importância do estudo da natureza; o naturalismo aguçou o espírito de observação do homem. O hedonismo representou o "culto ao prazer", ou seja, a idéia de que o homem pode produzir o belo, pode gerar uma obra apenas pelo prazer que isso possa lhe proporcionar, rompendo com o pragmatismo.
O Universalismo foi uma das principais características do Renascimento e considera que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber; podemos dizer que Leonardo da Vinci é o principal modelo de "homem universal", matemático, físico, pintor e escultor, estudou inclusive aspectos da biologia humana.
ITÁLIA: O Berço do Renascimento
Esse é uma expressão muito utilizada, apesar de a Itália ainda não existir como nação. A região italiana estava dividida e as cidades possuíam soberania. Na verdade o Renascimento desenvolveu-se em algumas cidades italianas, principalmente aqueles ligadas ao comércio.
Desde o século XIII, com a reabertura do Mediterrâneo, o comércio de várias cidades italianas com o oriente intensificou-se , possibilitando importantes transformações, como a formação de uma camada burguesa enriquecida e que necessitava de reconhecimento social. O comércio comandado pela burguesia foi responsável pelo desenvolvimento urbano, e nesse sentido, responsável por um novo modelo de vida, com novas relações sociais onde os homens encontram-se mais próximos uns dos outros. Dessa forma podemos dizer que a nova mentalidade da população urbana representa a essência dessas mudanças e possibilitará a Produção Renascentista.
Podemos considerar ainda como fatores que promoveram o renascimento italiano, a existência de diversas obras clássicas na região, assim como a influência dos "sábios bizantinos", homens oriundos principalmente de Constantinopla, conhecedores da língua grega e muitas vezes de obras clássicas.
A Produção Renascentista
É necessário fazer uma diferenciação entre a cultura renascentista; aquela caracterizada por um novo comportamento do homem da cidade, a partir de novas concepções de vida e de mundo, da Produção Renascentista, que representa as obras de artistas e intelectuais, que retrataram essa nova visão de mundo e são fundamentais para sua difusão e desenvolvimento. Essa diferenciação é importante para que não julguemos o Renascimento como um movimento de "alguns grandes homens", mas como um movimento que representa uma nova sociedade, urbana caracterizada pelos novos valores burguesas e ainda associada à valores cristãos.
O mecenato, prática comum na Roma antiga, foi fundamental para o desenvolvimento da produção intelectual e artística do renascimento. O Mecenas era considerado como "protetor", homem rico, era na prática quem dava as condições materiais para a produção das novas obras e nesse sentido pode ser considerado como o patrocinador, o financiador. O investimento do mecenas era recuperado com o prestígio social obtido, fato que contribuía com a divulgação das atividades de sua empresa ou instituição que representava. A maioria dos mecenas italianos eram elementos da burguesia, homens enriquecidos com o comércio e toda a produção vinculada à esse patrocínio foi considerada como Renascimento Civil.
Encontramos também o Papa e elementos da nobreza praticando o mecenato, sendo que o Papa Júlio II foi o principal exemplo do que denominou-se Renascimento Cortesão.
A Expansão do Renascimento
No decorrer do século XVI a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e para que isso ocorresse contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a outros países, cada um adaptando-o segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do movimento de Reforma Religiosa.
O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento vinculadas ao comércio oriental e posteriormente à exploração da América. A navegação pelo Atlântico reforçaram o capitalismo de Portugal, Espanha e Holanda e em segundo plano da Inglaterra e França. Nesses "países atlânticos" desenvolveu-se então a burguesia e a mentalidade renascentista.
Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do Renascimento Italiano, motivado pela crise econômica das cidades, provocada pela perda do monopólio sobre o comércio de especiarias.
A mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico determinou a decadência italiana e ao mesmo tempo impulsionou o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural.
Outro fator fundamental para a crise do Renascimento italiano foi a Reforma Religiosa e principalmente a Contra Reforma. Toda a polêmica que desenvolveu-se pelo embate religioso fez com que a religião voltasse a ocupar o principal espaço da vida humana; além disso, a Igreja Católica desenvolveu um grande movimento de repressão, apoiado na publicação do INDEX e na retomada da Inquisição que atingiu todo indivíduo que de alguma forma de opusesse a Igreja. Como o movimento protestante nõ existiu na Itália, a repressão recaiu sobre os intelectuais e artistas do renascimento.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Questionário 1 - Imperialismo - Respostas
1 - R: - Acesso a matérias-primas e fontes de energia baratas.
- Busca por mão-de-obra barata
- Constituir novos mercados consumidores para os produtos industrializados europeus.
2 - R: A partilha da África pelos países europeus para que exerçam sua dominação.
3 - R: Inglaterra e França
4 - R: A necessidade de acúmulo de capital que provém da indústria, sendo assim, havia a vontade de encontrar novos mercados consumidores, e , matérias primas e combustíveis para manter a atividade industrial.
5 - R: Pobreza, subdesenvolvimento, dependência tecnológica.
6 - R: No intuito de fragmentar os rebeldes desarticulando a oposição ao domínio imperialista.
7 - R: As disputas das áreas fornecedoras de matérias-primas e de combustíveis, e , a não concordância com a divisão estabelecida que favorecia a Inglaterra e França.
- Busca por mão-de-obra barata
- Constituir novos mercados consumidores para os produtos industrializados europeus.
2 - R: A partilha da África pelos países europeus para que exerçam sua dominação.
3 - R: Inglaterra e França
4 - R: A necessidade de acúmulo de capital que provém da indústria, sendo assim, havia a vontade de encontrar novos mercados consumidores, e , matérias primas e combustíveis para manter a atividade industrial.
5 - R: Pobreza, subdesenvolvimento, dependência tecnológica.
6 - R: No intuito de fragmentar os rebeldes desarticulando a oposição ao domínio imperialista.
7 - R: As disputas das áreas fornecedoras de matérias-primas e de combustíveis, e , a não concordância com a divisão estabelecida que favorecia a Inglaterra e França.
Primeira Guerra Mundial
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
Antecedentes
Vários problemas atingiam as principais nações européias no início do século XX. O século anterior havia deixado feridas difíceis de curar. Alguns países estavam extremamente descontentes com a partilha da Ásia e da África, ocorrida no final do século XIX. Alemanha e Itália, por exemplo, haviam ficado de fora no processo neocolonial. Enquanto isso, França e Inglaterra podiam explorar diversas colônias, ricas em matérias-primas e com um grande mercado consumidor. A insatisfação da Itália e da Alemanha, neste contexto, pode ser considerada uma das causas da Grande Guerra.
O início da Grande Guerra
O estopim deste conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs. O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28 de julho de 1914, declarou guerra à Servia.
Política de Alianças
Os países europeus começaram a fazer alianças políticas e militares desde o final do século XIX. Durante o conflito mundial estas alianças permaneceram. De um lado havia a Tríplice Aliança formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha ( a Itália passou para a outra aliança em 1915). Do outro lado a Tríplice Entente, formada em 1907, com a participação de França, Rússia e Reino Unido.
Desenvolvimento
As batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território. A fome e as doenças também eram os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a utilização de novas tecnologias bélicas como, por exemplo, tanques de guerra e aviões. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam nas indústrias bélicas como empregadas.
Fim do conflito
Em 1917 ocorreu um fato histórico de extrema importância : a entrada dos Estados Unidos no conflito. Os EUA entraram ao lado da Tríplice Entente, pois havia acordos comerciais a defender, principalmente com Inglaterra e França. Este fato marcou a vitória da Entente, forçando os países da Aliança a assinarem a rendição. Os derrotados tiveram ainda que assinar o Tratado de Versalhes que impunha a estes países fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada, perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores. O Tratado de Versalhes teve repercussões na Alemanha, influenciando o início da Segunda Guerra Mundial.
A guerra gerou aproximadamente 10 milhões de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos.
Antecedentes
Vários problemas atingiam as principais nações européias no início do século XX. O século anterior havia deixado feridas difíceis de curar. Alguns países estavam extremamente descontentes com a partilha da Ásia e da África, ocorrida no final do século XIX. Alemanha e Itália, por exemplo, haviam ficado de fora no processo neocolonial. Enquanto isso, França e Inglaterra podiam explorar diversas colônias, ricas em matérias-primas e com um grande mercado consumidor. A insatisfação da Itália e da Alemanha, neste contexto, pode ser considerada uma das causas da Grande Guerra.
O início da Grande Guerra
O estopim deste conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs. O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28 de julho de 1914, declarou guerra à Servia.
Política de Alianças
Os países europeus começaram a fazer alianças políticas e militares desde o final do século XIX. Durante o conflito mundial estas alianças permaneceram. De um lado havia a Tríplice Aliança formada em 1882 por Itália, Império Austro-Húngaro e Alemanha ( a Itália passou para a outra aliança em 1915). Do outro lado a Tríplice Entente, formada em 1907, com a participação de França, Rússia e Reino Unido.
Desenvolvimento
As batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território. A fome e as doenças também eram os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a utilização de novas tecnologias bélicas como, por exemplo, tanques de guerra e aviões. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam nas indústrias bélicas como empregadas.
Fim do conflito
Em 1917 ocorreu um fato histórico de extrema importância : a entrada dos Estados Unidos no conflito. Os EUA entraram ao lado da Tríplice Entente, pois havia acordos comerciais a defender, principalmente com Inglaterra e França. Este fato marcou a vitória da Entente, forçando os países da Aliança a assinarem a rendição. Os derrotados tiveram ainda que assinar o Tratado de Versalhes que impunha a estes países fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada, perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores. O Tratado de Versalhes teve repercussões na Alemanha, influenciando o início da Segunda Guerra Mundial.
A guerra gerou aproximadamente 10 milhões de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Idade Média – Crise do Feudalismo I - As Cruzadas
As cruzadas foram expedições militares empreendidas pelos cristãos do Ocidente com o apoio da Igreja Católica contra os pagãos, heréticos e muçulmanos, durante a Baixa idade Média.
No século XI, o sistema feudal sofreu inúmeras transformações, dentre elas podemos citar: o desenvolvimento de novas técnicas, o que provocou o aumento da produção, (fato que coincidiu com o aumento populacional). Essas transformações influenciaram nas relações entre nobres e servos: os senhores feudais insistiam em aumentar os impostos para melhorar sua renda. Os servos já não queriam trabalhar nas terras dos senhores, preocupando-se em aumentar sua produção para vender o excedente e auferir alguma renda. Além disso, a Europa necessitava de terras para comportar a crescente população. Dentro desse contexto surgiam as Cruzadas.
X O Papa Urbano II estava chamando seus fiéis para lutarem contra os turcos, a “raça maldita”, que impediram as peregrinações à Terra Santa ao conquistarem a Pérsia, até então sob o domínio dos árabes. Os turcos eram tidos como seguidores do Anticristo (satanás), por isso o termo “raça maldita” e a necessidade de tirar-lhes a Terra Santa.
Mas outros interesses impulsionaram as cruzadas. Seria uma saída para o excedente populacional, que iria encontrar novas terras. Esse fato levou muitos senhores feudais a enviarem seus filhos que não possuíam terras, para conquistarem novos feudos no Oriente.
A própria Igreja estava interessada em reconstituir a Unidade Cristã, rompida com o Cisma do Oriente, uma vez que os Imperadores Bizantinos estavam dispostos a aceitar a autoridade pontifical, desde que fossem auxiliados contra os turcos.
Além disso, havia interesses das cidades comerciais, principalmente as italianas, como Gênova e Veneza, que visavam à expansão de sua atividade comercial no Mediterrâneo Oriental, ampliando suas relações comerciais com os muçulmanos.
No século XI, o sistema feudal sofreu inúmeras transformações, dentre elas podemos citar: o desenvolvimento de novas técnicas, o que provocou o aumento da produção, (fato que coincidiu com o aumento populacional). Essas transformações influenciaram nas relações entre nobres e servos: os senhores feudais insistiam em aumentar os impostos para melhorar sua renda. Os servos já não queriam trabalhar nas terras dos senhores, preocupando-se em aumentar sua produção para vender o excedente e auferir alguma renda. Além disso, a Europa necessitava de terras para comportar a crescente população. Dentro desse contexto surgiam as Cruzadas.
X O Papa Urbano II estava chamando seus fiéis para lutarem contra os turcos, a “raça maldita”, que impediram as peregrinações à Terra Santa ao conquistarem a Pérsia, até então sob o domínio dos árabes. Os turcos eram tidos como seguidores do Anticristo (satanás), por isso o termo “raça maldita” e a necessidade de tirar-lhes a Terra Santa.
Mas outros interesses impulsionaram as cruzadas. Seria uma saída para o excedente populacional, que iria encontrar novas terras. Esse fato levou muitos senhores feudais a enviarem seus filhos que não possuíam terras, para conquistarem novos feudos no Oriente.
A própria Igreja estava interessada em reconstituir a Unidade Cristã, rompida com o Cisma do Oriente, uma vez que os Imperadores Bizantinos estavam dispostos a aceitar a autoridade pontifical, desde que fossem auxiliados contra os turcos.
Além disso, havia interesses das cidades comerciais, principalmente as italianas, como Gênova e Veneza, que visavam à expansão de sua atividade comercial no Mediterrâneo Oriental, ampliando suas relações comerciais com os muçulmanos.
No geral, as Cruzadas não alcançavam seus objetivos. Revelando sua incapacidade militar, não conseguiram manter os territórios conquistados. Por outro lado, as cruzadas proporcionaram importantes transformações para as sociedades, bizantina e muçulmana. Uma delas foi a abertura do mediterrâneo ao comércio europeu. Esse fato contribuiu para a mudança do sistema feudal.
II – Renascimento Comercial
Durante muito tempo, a terra foi principal fonte de riqueza. As cidades esvaziaram-se e foi nos feudos que a população procurou abrigo durante as invasões. Quando essas terminaram, a população aumentou e os feudos não conseguiram mais comportá-las. Verificou-se o desenvolvimento de técnicas agrícolas, ocasionando o aumento da produção, necessidade para atender à população crescente e a comercialização do excedente.
Dentre as várias inovações tecnológicas, destacamos: a substituição do arado de madeira pelo ferro (charrua), a utilização da água como força motriz usada nos moinhos e serras, o cultivo de aveia (alto valor nutritivo) e de vinha e a criação de ovelhas.
Muitas pessoas, então deslocaram-se do campo para a cidade e, procurando melhores condições de vida, passaram a desenvolver o artesanato.
ÖOs artesãos organizaram as Corporações de ofício a fim de proteger seu artesanato e seu comércio da concorrência de outras cidade. Essas corporações controlavam os horários de trabalho nas oficinas, o preço e a qualidade dos produtos. Também estabeleciam uma hierarquia dentro das oficinas:
· mestre era dono da oficina, das ferramentas e da matéria-prima;
· oficial era o artesão que trabalhava com o mestre, como assalariado;
· aprendiz trabalhava nas oficina recebendo apenas casa e comida;
· jornaleiro trabalhava por jornadas estabelecidas pelo mestre, recebia um pequeno salário.
A produção artesanal teve como conseqüência o desenvolvimento do comércio. O artesanato era vendido por comerciantes que percorriam aldeias e cidade. No século XI surgiam as feiras, centros comerciais que vendiam vários produtos, provenientes de diversos países. Uma das mais importantes feiras foi a da Champanha, na França.
Os comerciantes também formavam associações ou ligas. No século XIII surgiu a mais importante associação – a Liga Hanseática (de Hansa = companhia), formada por comerciantes alemãs.
As atividades comerciais expandiram-se formando dois principais pólos do comércio internacional: Norte da Itália e Norte da Europa. Gênova e Veneza destacaram-se nesse comércio, pois passaram a exercer um monopólio comercial sobre o Oriente. Importavam especiarias (cravo, canela, noz-moscada, pimenta, etc.) e exportavam madeiras, armas e tecidos de lã de Flandres e Florença.
O reflorescimento comercial provocou uma maior circulação de dinheiro e o aparecimento de diversas moedas:
Dentre as várias inovações tecnológicas, destacamos: a substituição do arado de madeira pelo ferro (charrua), a utilização da água como força motriz usada nos moinhos e serras, o cultivo de aveia (alto valor nutritivo) e de vinha e a criação de ovelhas.
Muitas pessoas, então deslocaram-se do campo para a cidade e, procurando melhores condições de vida, passaram a desenvolver o artesanato.
ÖOs artesãos organizaram as Corporações de ofício a fim de proteger seu artesanato e seu comércio da concorrência de outras cidade. Essas corporações controlavam os horários de trabalho nas oficinas, o preço e a qualidade dos produtos. Também estabeleciam uma hierarquia dentro das oficinas:
· mestre era dono da oficina, das ferramentas e da matéria-prima;
· oficial era o artesão que trabalhava com o mestre, como assalariado;
· aprendiz trabalhava nas oficina recebendo apenas casa e comida;
· jornaleiro trabalhava por jornadas estabelecidas pelo mestre, recebia um pequeno salário.
A produção artesanal teve como conseqüência o desenvolvimento do comércio. O artesanato era vendido por comerciantes que percorriam aldeias e cidade. No século XI surgiam as feiras, centros comerciais que vendiam vários produtos, provenientes de diversos países. Uma das mais importantes feiras foi a da Champanha, na França.
Os comerciantes também formavam associações ou ligas. No século XIII surgiu a mais importante associação – a Liga Hanseática (de Hansa = companhia), formada por comerciantes alemãs.
As atividades comerciais expandiram-se formando dois principais pólos do comércio internacional: Norte da Itália e Norte da Europa. Gênova e Veneza destacaram-se nesse comércio, pois passaram a exercer um monopólio comercial sobre o Oriente. Importavam especiarias (cravo, canela, noz-moscada, pimenta, etc.) e exportavam madeiras, armas e tecidos de lã de Flandres e Florença.
O reflorescimento comercial provocou uma maior circulação de dinheiro e o aparecimento de diversas moedas:
$ florim (Florença),
$ ducado (Veneza),
$ cruzado (Portugal)
$ escudo (França).
$ ducado (Veneza),
$ cruzado (Portugal)
$ escudo (França).
Esse fato fez surgir uma nova profissão – os “cambistas” que faziam o câmbio (troca) de dinheiro e controlavam o peso e o teor em metal precioso das moedas.
Essa nova classe de comerciantes desenvolveram as transações comerciais, introduzindo os cheques, letras de câmbio e fazendo empréstimos aos comerciantes. Esses homens tornaram-se ricos comerciantes e deles alguns reis passaram a depender.
Com o Renascimento Comercial, a burguesia enriquecia cada vez mais aliada aos reis, que centralizavam o poder em seus países, e sentiam necessidade de buscar mercados fornecedores de matérias-primas que atendessem ao consumo europeu.
Esse interesse não se restringia à busca matérias-primas. Comerciantes e reis necessitavam de ouro e prata para a cunhagem de moedas, as quais seriam utilizadas na compra de mercadorias do Oriente e financiariam a consolidação da autoridade do rei.
Podemos considerar a Tomada de Constantinopla (1453) pelos turcos, um fator importante para explicar a expansão marítima européia. O comércio por Constantinopla não foi impedido pelos turcos, estes passaram a cobrar novas taxas, o que encarecia as especiarias. Os europeus viram-se obrigados a procurar um novo caminho que os levasse às Índias – nome dado ao extremo Oriente. Esse caminho deveria evitar o mar Mediterrâneo, ocupado pelos turcos. A única saída seria o Oceano Atlântico. A expansão marítima iniciou-se no século XV. Portugal foi o pioneiro nessas viagens. Alguns fatores explicam esse pioneirismo.
§ posição geográfica favorável – próximo às Ilhas do
Atlântico e à costa da África;
§ aperfeiçoamento dos instrumentos náuticos;
§ construção de caravelas;
§ fundação da Escola de Sagres;
§ consolidação da monarquia.
Com o Renascimento Comercial, a burguesia enriquecia cada vez mais aliada aos reis, que centralizavam o poder em seus países, e sentiam necessidade de buscar mercados fornecedores de matérias-primas que atendessem ao consumo europeu.
Esse interesse não se restringia à busca matérias-primas. Comerciantes e reis necessitavam de ouro e prata para a cunhagem de moedas, as quais seriam utilizadas na compra de mercadorias do Oriente e financiariam a consolidação da autoridade do rei.
Podemos considerar a Tomada de Constantinopla (1453) pelos turcos, um fator importante para explicar a expansão marítima européia. O comércio por Constantinopla não foi impedido pelos turcos, estes passaram a cobrar novas taxas, o que encarecia as especiarias. Os europeus viram-se obrigados a procurar um novo caminho que os levasse às Índias – nome dado ao extremo Oriente. Esse caminho deveria evitar o mar Mediterrâneo, ocupado pelos turcos. A única saída seria o Oceano Atlântico. A expansão marítima iniciou-se no século XV. Portugal foi o pioneiro nessas viagens. Alguns fatores explicam esse pioneirismo.
§ posição geográfica favorável – próximo às Ilhas do
Atlântico e à costa da África;
§ aperfeiçoamento dos instrumentos náuticos;
§ construção de caravelas;
§ fundação da Escola de Sagres;
§ consolidação da monarquia.
O Neocolonialismo
Entre os séculos XVI e XVII, os interesses econômicos europeus estavam direcionados essencialmente para a América, em busca de mercados fornecedores de produtos tropicais e metais preciosos. Portugal e Espanha assumiram a liderança no colonialismo, orientados pela política econômica mercantilista e sustentada pelo monopólio do pacto colonial. No entanto, a industrialização européia nos séculos XVIII e XIX obrigou as metrópoles a buscarem novos mercados consumidores, diante da produção em grande escala, substituindo o exclusivismo comercial pela política econômica liberal.
A Difusão da Indústria
No início do século XIX, a industrialização que havia se iniciado na Inglaterra começou a expandir-se para outras regiões. A Bélgica iniciou sua industrialização precocemente graças aos investimentos ingleses e à abundância de carvão e ferra na região. Na França, a estrutura do Antigo Regime dificultava o desenvolvimento industrial. Com a revolução de 1789, a burguesia capitalista assumiu o poder, mas foi a partir de 1830, no governo de Luís Felipe, que a revolução industrial francesa tomou corpo, desenvolvendo-se efetivamente com Napoleão III durante o Segundo Império. Entretanto, a ausência de carvão e a perda de ricas jazidas de ferro da Alsácia-Lorena para a Alemanha dificultaram o processo. A Alemanha e a Itália encontraram condições favoráveis para o desenvolvimento de seu parque industrial somente a partir da unificação política, concretizada em 1870. Fora da Europa, os Estados Unidos foi o único país da América que encontrou condições de industrializar-se, graças à descoberta de ouro na Califórnia, à Guerra de Secessão e ao investimento de capitais ingleses. No final do século XIX, a produção industrial norte-americana já superava a Inglaterra e a Alemanha. Além disso, o expansionismo dos Estados Unidos chegou ao Japão, cuja modernização provocada pela Revolução Meiji (Era das Luzes), em 1868, assimilou a tecnologia norte-americana, partindo daí para um programa sistemático de industrialização.
A industrialização inglesa, no século XVIII, provocou a formação de grandes empresas que passaram a monopolizar a produção, substituindo o capitalismo concorrencial. A partir de 1860, iniciou-se uma segunda etapa da Revolução Industrial. Nessa nova fase, o aço substituiu o ferro como material industrial básico, o vapor deu lugar à eletricidade, e o petróleo passou a ser utilizado como força motriz em lugar do carvão. Destacou-se, também, a introdução de uma maquinaria automática, o crescimento da produção, a extrema divisão do trabalho e uma verdadeira revolução nos meios de transporte e comunicação. Nesse momento, o capitalismo industrial foi sobrepujado pelo capitalismo financeiro, originando a concentração de empresas e enormes complexos industriais. Com isso, surgiram grandes conglomerados econômicos, como os trustes, cartéis e holdings. O crescimento desenfreado da indústria gerou um grande excedente de produção, que entrou em choque com o desemprego provocado pela larga utilização de máquinas no processo industrial. As grandes potências, visando manter o ritmo de desenvolvimento, necessitavam de mercados. Surgiu, assim, uma expansão imperialista que atingiu principalmente a África e a Ásia, que se tornaram palco de disputas e rivalidades na divisão do mercado mundial.
A razão básica da colonização era econômica. A Europa tinha vários países passando pela Revolução Industrial, que necessitavam de matérias-primas essenciais para a industrialização, tais como carvão, ferro e petróleo; produtos alimentícios, normalmente carentes na Europa; mercados consumidores para os excedentes industriais; e locais para o investimento de capitais disponíveis na Europa, principalmente na construção de estradas de ferro e exploração de minas. Em termos sociais, a colonização era uma válvula de escape para a pressão demográfica. No plano político, o motivo essencial era a preocupação dos Estados europeus em aumentar seus contingentes militares.
Em 1830, a França deu o primeiro passo na conquista da África. Seus exércitos iniciaram a conquista da Argélia, processo que somente foi completado em 1857. Leopoldo II, da Bélgica, deu novo impulso ao colonialismo, em 1876, reunindo, em Bruxelas, um congresso de presidentes com o objetivo de, segundo ele, difundir a civilização ocidental. Os países europeus lançaram-se rapidamente à aventura africana. A França conquistou a Argélia, Tunísia, África Equatorial, Costa da Somália, Madagascar; os ingleses anexaram a Rodésia, União Sul Africana, Nigéria, Costa do Ouro, e Serra Leoa; a Alemanha, que entrou tardiamente na corrida colonial, adquiriu apenas Camerum, África Sudoeste e África Oriental; a Itália anexou o litoral da Líbia, Eritréia e Somália. Os antigos países colonizadores da Europa, Portugal e Espanha, ficaram com porções reduzidas: a Espanha, com o Marrocos Espanhol, Rio do Ouro e Guiné Espanhola; Portugal, com Moçambique, Angola e Guiné Portuguesa. A Conferência de Berlim, convocada por Bismarck, primeiro-ministro da Alemanha, foi o marco mais importante na corrida colonialista. Sua finalidade primeira foi legalizar a propriedade pessoal do rei Leopoldo II, da Bélgica, sobre o Estado Livre do Congo e estabelecer as regras da partilha da África entre as principais potências imperialistas. A corrida colonial africana produziu inúmeros atritos entre os países colonialistas, constituindo-se mesmo num dos fatores básicos do desequilíbrio europeu, responsável pela eclosão da Primeira Guerra Mundial.
A Ásia mantivera-se isolada até o século XIX. Apenas alguns portos estavam abertos aos comerciantes ocidentais que aí recebiam os produtos orientais para comercialização no Ocidente, permanecendo, assim, quase que imune às influências ocidentais. Essa situação modificou-se radicalmente, no transcorrer do século XIX. Os países ocidentais passaram do simples comércio portuário para a política de zonas de influência, promovendo uma verdadeira partilha. A Rússia era o país mais interessado na expansão territorial da Ásia, devido à proximidade com seu território. Os ingleses haviam tomado a Índia dos franceses em 1763, ficando uma companhia inglesa encarregada da exploração. Em 1858, com a revolta dos cipaios (nativos que serviam nos exércitos coloniais) prontamente reprimida, a Índia passou a integrar o Império Britânico. Na China, a Guerra do Ópio, motivada pela destruição de carregamentos de ópio pertencentes a súditos ingleses, pelos chineses, permitiu a conquista de Hong-Kong, Xangai, Nanquim. A reação contra a invasão da China partiu de uma sociedade secreta conhecida como boxers, que promoviam atentados contra os estrangeiros residentes na China. As nações européias organizaram uma expedição conjunta para punir a sociedade e o governo chinês que a apoiava, surgindo daí a Guerra dos Boxers, que completou a dominação da China pelas potências européias. Por outro lado, os japoneses ocuparam a Coréia, e os alemães, a península Chantung, enquanto a França dominava a Indochina.
Na área de dominação francesa, foram dois os tipos básicos de colonização: colônias e protetorados (situação de um Estado posto sob a autoridade de outro). As colônias ficavam sob direta supervisão do Ministério das Colônias, sendo governadas localmente por um governador geral, responsável pela atividade local. Os protetorados, por sua vez, mantinham elevado grau de autonomia. Praticamente todas as decisões eram tomadas por elementos indígenas, com a supervisão de um representante da metrópole. Entre as colônias inglesas, a variedade era muito grande: as colônias da Coroa, que dependiam diretamente da metrópole; as colônias com certo grau de autonomia, com um parlamento eleito localmente; e os domínios, que eram praticamente independentes. A forma de organização administrativa nas demais colônias, pertencentes aos outros países europeus, não variava muito em relação aos dois tipos apresentados, isto é, colônias propriamente ditas e dependências semi-autônomas.
De uma maneira geral, os países colonialistas da Europa procederam de maneira empírica (sem caráter científico, baseando-se na experiência) na organização do sistema de exploração colonial. Os ingleses se constituíram em exceção, porque possuíam um imenso império colonial que lhes permitia uma variedade extraordinária de recursos materiais e humanos. A política livre-cambista, adotada na Inglaterra após 1850, estendeu-se às colônias, uniformizando as relações econômicas. A França, por sua vez, adotou uma política tarifária variante. Dependia da colônia e dos tipos de produtos que produzia e consumia. A exploração econômica das terras foi concedida a particulares, uma vez que somente as grandes companhias capitalistas tinham condições de empreender a exploração, que necessitava de uma vultosa soma de capitais.
A Difusão da Indústria
No início do século XIX, a industrialização que havia se iniciado na Inglaterra começou a expandir-se para outras regiões. A Bélgica iniciou sua industrialização precocemente graças aos investimentos ingleses e à abundância de carvão e ferra na região. Na França, a estrutura do Antigo Regime dificultava o desenvolvimento industrial. Com a revolução de 1789, a burguesia capitalista assumiu o poder, mas foi a partir de 1830, no governo de Luís Felipe, que a revolução industrial francesa tomou corpo, desenvolvendo-se efetivamente com Napoleão III durante o Segundo Império. Entretanto, a ausência de carvão e a perda de ricas jazidas de ferro da Alsácia-Lorena para a Alemanha dificultaram o processo. A Alemanha e a Itália encontraram condições favoráveis para o desenvolvimento de seu parque industrial somente a partir da unificação política, concretizada em 1870. Fora da Europa, os Estados Unidos foi o único país da América que encontrou condições de industrializar-se, graças à descoberta de ouro na Califórnia, à Guerra de Secessão e ao investimento de capitais ingleses. No final do século XIX, a produção industrial norte-americana já superava a Inglaterra e a Alemanha. Além disso, o expansionismo dos Estados Unidos chegou ao Japão, cuja modernização provocada pela Revolução Meiji (Era das Luzes), em 1868, assimilou a tecnologia norte-americana, partindo daí para um programa sistemático de industrialização.
Os Monopólios e as Invenções Tecnológicas
A industrialização inglesa, no século XVIII, provocou a formação de grandes empresas que passaram a monopolizar a produção, substituindo o capitalismo concorrencial. A partir de 1860, iniciou-se uma segunda etapa da Revolução Industrial. Nessa nova fase, o aço substituiu o ferro como material industrial básico, o vapor deu lugar à eletricidade, e o petróleo passou a ser utilizado como força motriz em lugar do carvão. Destacou-se, também, a introdução de uma maquinaria automática, o crescimento da produção, a extrema divisão do trabalho e uma verdadeira revolução nos meios de transporte e comunicação. Nesse momento, o capitalismo industrial foi sobrepujado pelo capitalismo financeiro, originando a concentração de empresas e enormes complexos industriais. Com isso, surgiram grandes conglomerados econômicos, como os trustes, cartéis e holdings. O crescimento desenfreado da indústria gerou um grande excedente de produção, que entrou em choque com o desemprego provocado pela larga utilização de máquinas no processo industrial. As grandes potências, visando manter o ritmo de desenvolvimento, necessitavam de mercados. Surgiu, assim, uma expansão imperialista que atingiu principalmente a África e a Ásia, que se tornaram palco de disputas e rivalidades na divisão do mercado mundial.
A Corrida Colonialista
A razão básica da colonização era econômica. A Europa tinha vários países passando pela Revolução Industrial, que necessitavam de matérias-primas essenciais para a industrialização, tais como carvão, ferro e petróleo; produtos alimentícios, normalmente carentes na Europa; mercados consumidores para os excedentes industriais; e locais para o investimento de capitais disponíveis na Europa, principalmente na construção de estradas de ferro e exploração de minas. Em termos sociais, a colonização era uma válvula de escape para a pressão demográfica. No plano político, o motivo essencial era a preocupação dos Estados europeus em aumentar seus contingentes militares.
O Processo da Partilha Colonial
Em 1830, a França deu o primeiro passo na conquista da África. Seus exércitos iniciaram a conquista da Argélia, processo que somente foi completado em 1857. Leopoldo II, da Bélgica, deu novo impulso ao colonialismo, em 1876, reunindo, em Bruxelas, um congresso de presidentes com o objetivo de, segundo ele, difundir a civilização ocidental. Os países europeus lançaram-se rapidamente à aventura africana. A França conquistou a Argélia, Tunísia, África Equatorial, Costa da Somália, Madagascar; os ingleses anexaram a Rodésia, União Sul Africana, Nigéria, Costa do Ouro, e Serra Leoa; a Alemanha, que entrou tardiamente na corrida colonial, adquiriu apenas Camerum, África Sudoeste e África Oriental; a Itália anexou o litoral da Líbia, Eritréia e Somália. Os antigos países colonizadores da Europa, Portugal e Espanha, ficaram com porções reduzidas: a Espanha, com o Marrocos Espanhol, Rio do Ouro e Guiné Espanhola; Portugal, com Moçambique, Angola e Guiné Portuguesa. A Conferência de Berlim, convocada por Bismarck, primeiro-ministro da Alemanha, foi o marco mais importante na corrida colonialista. Sua finalidade primeira foi legalizar a propriedade pessoal do rei Leopoldo II, da Bélgica, sobre o Estado Livre do Congo e estabelecer as regras da partilha da África entre as principais potências imperialistas. A corrida colonial africana produziu inúmeros atritos entre os países colonialistas, constituindo-se mesmo num dos fatores básicos do desequilíbrio europeu, responsável pela eclosão da Primeira Guerra Mundial.
A Penetração Européia na Ásia
A Ásia mantivera-se isolada até o século XIX. Apenas alguns portos estavam abertos aos comerciantes ocidentais que aí recebiam os produtos orientais para comercialização no Ocidente, permanecendo, assim, quase que imune às influências ocidentais. Essa situação modificou-se radicalmente, no transcorrer do século XIX. Os países ocidentais passaram do simples comércio portuário para a política de zonas de influência, promovendo uma verdadeira partilha. A Rússia era o país mais interessado na expansão territorial da Ásia, devido à proximidade com seu território. Os ingleses haviam tomado a Índia dos franceses em 1763, ficando uma companhia inglesa encarregada da exploração. Em 1858, com a revolta dos cipaios (nativos que serviam nos exércitos coloniais) prontamente reprimida, a Índia passou a integrar o Império Britânico. Na China, a Guerra do Ópio, motivada pela destruição de carregamentos de ópio pertencentes a súditos ingleses, pelos chineses, permitiu a conquista de Hong-Kong, Xangai, Nanquim. A reação contra a invasão da China partiu de uma sociedade secreta conhecida como boxers, que promoviam atentados contra os estrangeiros residentes na China. As nações européias organizaram uma expedição conjunta para punir a sociedade e o governo chinês que a apoiava, surgindo daí a Guerra dos Boxers, que completou a dominação da China pelas potências européias. Por outro lado, os japoneses ocuparam a Coréia, e os alemães, a península Chantung, enquanto a França dominava a Indochina.
A Administração Colonial
Na área de dominação francesa, foram dois os tipos básicos de colonização: colônias e protetorados (situação de um Estado posto sob a autoridade de outro). As colônias ficavam sob direta supervisão do Ministério das Colônias, sendo governadas localmente por um governador geral, responsável pela atividade local. Os protetorados, por sua vez, mantinham elevado grau de autonomia. Praticamente todas as decisões eram tomadas por elementos indígenas, com a supervisão de um representante da metrópole. Entre as colônias inglesas, a variedade era muito grande: as colônias da Coroa, que dependiam diretamente da metrópole; as colônias com certo grau de autonomia, com um parlamento eleito localmente; e os domínios, que eram praticamente independentes. A forma de organização administrativa nas demais colônias, pertencentes aos outros países europeus, não variava muito em relação aos dois tipos apresentados, isto é, colônias propriamente ditas e dependências semi-autônomas.
A Exploração Colonial
De uma maneira geral, os países colonialistas da Europa procederam de maneira empírica (sem caráter científico, baseando-se na experiência) na organização do sistema de exploração colonial. Os ingleses se constituíram em exceção, porque possuíam um imenso império colonial que lhes permitia uma variedade extraordinária de recursos materiais e humanos. A política livre-cambista, adotada na Inglaterra após 1850, estendeu-se às colônias, uniformizando as relações econômicas. A França, por sua vez, adotou uma política tarifária variante. Dependia da colônia e dos tipos de produtos que produzia e consumia. A exploração econômica das terras foi concedida a particulares, uma vez que somente as grandes companhias capitalistas tinham condições de empreender a exploração, que necessitava de uma vultosa soma de capitais.
O Neocolonialismo II
O que impulsionou o neocolonialismo ?
No final do século XIX e começo do XX, a sociedade européia experimentou o aumento da população e da capacidade econômica, bem como um progresso tecnológico e industrial sem precedentes. É a época do capitalismo financeiro, caracterizado pela hegemonia das grandes indústrias e dos bancos. O mercado europeu torna-se pequeno e as potências capitalistas buscam maneiras de vender seus produtos e de investir seus excedentes de capitais no mundo todo. O expansionismo neocolonial subjuga muitos povos da África e da Ásia. Países ricos e poderosos da Europa, como a Grã-Bretanha, a França, a Bélgica e a Alemanha estendem seus domínios por todos os continentes, formando autênticos impérios e repartindo o mundo. Japão e Estados Unidos, mesmo sem terem formado vastos impérios, também praticam o imperialismo, demonstrando que novas forças capitalistas começam a emergir.
O neocolonialismo
Entre 1875 e 1914, as grandes potências expandiram seus domínios por todos os continentes,numa desenfreada corrida para repartir o mundo. Esses países, especialmente Inglaterra e França, formaram autênticos impérios, unindo exploração econômica e domínio político.As grandes riquezas das colônias, a necessidade de dispor de territórios para onde pudesse emigrar a crescente população européia, o desejo de supremacia, a vontade deimpor sua cultura aos povos mais atrasados e a busca por mercados consumidores e fornecedores foram fatores que incentivaram a nova colonização.
Conseqüências do neocolonialismo
O impacto do imperialismo foi negativo para os povos colonizados. Mudaram seus costumes,sua cultura e sua economia, assim como sua língua e sua religião. A criação de fronteiras artificiais privou-os de sua identidade. Foi-lhes negado o desenvolvimento autônomo, o que resultou no subdesenvolvimento atual, já que só podiam se desenvolver de acordo com as necessidades dos dominadores.
A missão civilizadora
Deformando as teorias de Darwin, o homem branco se considerava superior aos povos locais da África e da Ásia. Julgava que sua cultura e seu progresso científico colocavam-no acima dos colonizados e sentia-se no dever moral de 'levar' a esses povos os benefícios de sua civilização, incluindo a religião. Era essa a justificativa do imperialismo.
A partilha da África
A partir da expansão marítima européia (séculos XV e XVI), interesses econômicos nortearam a exploração do continente: metais preciosos, matérias-primas e escravos. Com a segunda Revolução Industrial, desenvolveu-se um novo colonialismo, legitimado pela 'missão civilizadora' do homem branco. O continente possuía enormes riquezas, mão-de-obra abundante e barata e também um grande interesse estratégico. Os europeus ocuparam primeiro o litoral e depois o interior, até formar verdadeiros impérios. Na Conferência de Berlim (1884-85), as potências imperialistas fragmentaram a África, ignorando a diversidade étnico-cultural. Fronteiras separaram grupos e aglutinaram rivais, acentuando os problemas. A África tornou-se um conjunto de colônias e protetorados, com exceção apenas da Etiópia e da Libéria.
O imperialismo na Ásia
As potências européias lançaram-se ao controle da Ásia, onde encontraram matérias-primas e um grande mercado para os seus excedentes de manufaturas e capitais. Contudo, a existência de civilizações muito desenvolvidas dificultou a conquista e dominação do território asiático. A Inglaterra concentrou sua ação na Índia. A França investiu pelo sudeste, na Indochina. Cobiçada e disputada, a China acabou subjugada pelas potências capitalistas, com guerras, entre as quais a Guerra do Ópio (1841), e tratados desiguais que proporcionaram aos ocidentais direitos econômicos e políticos nas áreas de influência.
A resistência colonial
Na Índia, em 1857, a Rebelião dos Cipaios (soldados indianos) foi uma importante reação nacionalista frente ao domínio ocidental, mas os revoltosos foram sufocados pela violenta ação inglesa que manteve a região sob controle do Império Britânico. A principal resistência chinesa contra a presença estrangeira foi a Guerra dos Boxers (1900), mas uma força expedicionária internacional, formada por ingleses, alemães, russos,franceses, japoneses e norte-americanos, invadiu o país e obrigou o governo imperial chinês a reconhecer todos os acordos e concessões anteriormente firmados com as potências imperialistas.
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